Para onde foram os artistas?
O que a arte contemporânea diz ao homem comum, que não procura a arte como um dos bens imateriais vitais a sua existência ou, pelo menos, ao seu entretenimento?
Aqui vou aditar alguns pensamentos e impressões baseadas na observação somente... É um método irregular, ou melhor, não é método nenhum, porém algumas idéias não deixam de ser compartilhadas.
As opiniões aqui expressas não são tão ortodoxas a ponto de serem imutáveis, muito pelo contrário, o objetivo é exatamente o aprimoramento do pensamento artístico e a criação de novas idéias. Mas temos de começar de algum lugar...
A arte é plágio ou revolução. Paul Gauguin
A questão enunciada no início do post pode ser respondida de inúmeras formas corretas, que levariam a práticas extensas..., e só uma forma incorreta, porém sucinta e emblemática: nada. O fato de algumas ou várias pessoas terem ‘nada’ como resposta sugere, no mínimo, que não é essa imagem (a criada pela arte contemporânea) que elas associam a arte.
A retratação do belo, da paisagem, do arvoredo, das marinas, das flores, dos campos ainda é sinônimo único de arte para grande parte do subconsciente coletivo. Até mesmo Tarsila do Amaral e o seu Abaporu seriam deixados de lado com desdém se ao lado oferecessem uma tela com uma casinha e riacho copiada de uma revista sobre pintura passo-a-passo vendida em qualquer banca.
A forma como vemos a arte depende do ambiente social ou a forma como vemos a sociedade é descendente das criações do meio artístico?
Se a afirmação verdadeira for a primeira então a arte como se pratica hoje está acessível apenas aos que possuem domínio da sua literatura, mesmo que muitas vezes utilize linguagens visuais presentes no cotidiano. Se a arte evoluiu para algo mais intelectual e não puramente belo, a sociedade periférica não a seguiu.
Se a afirmação verdadeira for a última, a sociedade está fadada a cada vez mais olhar profundamente dentro de si mesma, visto que as experiências visuais produzidas pelas novas tendências artísticas dizem mais a respeito dos sentimentos e impressões experimentadas exclusivamente pelo artista do que sentimentos e impressões pelo qual o espectador alheio as correntes inventivas poderia se identificar como unidade.
É uma bela casa, porém não se vê portas para que adentremos.